Minha vida sem fotos

20 Jun

Esses dias vi o post de uma colega de faculdade falando sobre o exibicionismo todo que existe na internet. De fato, ele existe – muito – e me irrita. Lembro que com 13 ou 14 anos eu pedi uma câmera digital de presente de aniversário e na época eu já arriscava algumas fotos com a câmera do meu tio.

Era uma festa! Foto de florzinha, pôr do sol, autorretrato, bagunça na escola, na casa das amigas, tudo era fotografia! Mas a questão maior é que a febre mesmo não era a fotografia por si só, mas o fato de divulgá-la pro mundo, ou seja, postá-la na internet e aguardar que outras pessoas as vissem e comentassem e etc.

Os anos foram passando e hoje, após ler o tal texto, me dei conta de que eu tiro cada vez menos fotos na minha vida. Acho que é porque cansei mesmo. Minha timeline do Facebook é recheada de aventuras alheias, de sorrisos, de poses e agora, de ativismos.

Eu comecei a achar tudo isso um verdadeiro circo, na verdade. A pessoa não sabe mais se beija o namorado ou se tira foto – coisa essa que eu já fiz e hoje acho absurrrrdo! hahaha foto beijando, né…pra quê! – não sabe mais se ataca o delicioso prato de comida ou se registra o momento numa foto bonita, e haja tentativa hein! Vai pra balada e tem mais flash do que envolvimento com aquelas pessoas todas que posam junto.

Eu tinha um álbum só de fotos minhas no Facebook, um de fotografias randômicas que eu tirava por aí – e agora estão no Instagram – e outro com fotos dos meus amigos, que eu ainda deixo lá por dó de deletar mesmo.

Só que agora não entendo mais a lógica disso. Sempre achei muito legal esse poder da fotografia de nos fazer guardar momentos importantes da nossa vida, uma lembrança concreta do que aconteceu. Mas agora parece que TUDO, absolutamente tudo o que fazemos é importante. Tem alguns episódios que sim, eu gostaria de ter registrado…foto dos meus amigos, da viagem que eu fiz com eles, de um dia legal na casa de alguém e etc. Mas a questão é que eu realmente já tenho guardado esses momentos comigo e não preciso compartilhá-los com mais ninguém.

E é engraçado porque se eu não registro, é porque não vivi nada. Se não tem foto do meu fim de semana no Facebook ou Instagram, é porque eu não fiz nada naqueles dias. O que eu quero dizer com tudo isso é que descobri que hoje vivo muito bem sem fotos, sem esse exibicionismo todo, sem ter que me autoafirmar e dizer pro mundo “olha só o que eu fiz, o que eu causei” e outras besteiras do gênero.

Claro que ainda tiro algumas fotos, faço questão de guardar algum momento legal, como registrar a galera dos protestos que teve em SP e saber que eu tava lá, ou até mesmo postar foto minha, no mais alto escalão do egocentrismo, e esperar aquela curtida básica. Aliás, só de escrever isso já me acho tosca o suficiente pra considerar me esconder ainda mais.

Mas tenho pra mim que esse é, com certeza, um dos grandes males do Facebook e de toda essa era digital; ninguém se reserva mais, todo mundo paga de alguma coisa e dá-lhe fotos e mais fotos pra comprovar o quanto a sua vida é mara, seu relacionamento é o melhor do mundo e você é linda (o). E o fato é que a minha vida sem fotos continua sendo muito bem vivida, obrigada.

Na boa, eu NÃO quero saber o que você anda comendo, quem você anda beijando, qual presente horrível você ganhou do namorado, como foi seu fim de semana inútil no parque ou que você está preso no trânsito e tirando foto, porque se eu for sua amiga e quiser saber, eu certamente saberei porque das duas, uma: ou você vai me contar ou eu vou te perguntar. Isso se chama INTIMIDADE.

Então sério. Parem.

TpsCap0005-pola

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